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Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz. Com mãos se faz o poema - e são de terra. Com mãos se faz a guerra - e são a paz. Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra. Não são de pedras estas casas, mas de mãos. E estão no fruto e na palavra as mãos que são o canto e são as armas. E cravam-se no tempo como farpas as mãos que vês nas coisas transformadas. Folhas que vão no vento: verdes harpas. De mãos é cada flor, cada cidade. Ninguém pode vencer estas espadas: nas tuas mãos começa a liberdade. Manuel AlegreNão hei-de morrer sem saber
Luís Vaz de Camões.
Poeta infortunado e tutelar.
Fez o milagre de ressuscitar
A Pátria em que nasceu.
Quando, vidente, a viu
A caminho da negra sepultura,
Num poema de amor e de aventura
Deu-lhe a vida,
Perdida.
E agora,
Nesta segunda hora
De vil tristeza,
Imortal,
É ele ainda a única certeza
De Portugal.
Miguel Torga, Diário XIII
TPC
1.
Neste poema sobre Camões, em que Miguel Torga também se refere à vida
do poeta e à sua obra, que era lida durante a ditadura, o sujeito poético
compara o tempo de Camões – o final do séc. XVI – com o tempo vivido durante a ditadura. Há
semelhanças? Quais são?
Link: https://tests.intuitivo.pt/publication/68122e23-63e6-4b2c-b5ec-a6795230c16a