Luís Vaz de Camões.
Poeta infortunado e tutelar.
Fez o milagre de ressuscitar
A Pátria em que nasceu.
Quando, vidente, a viu
A caminho da negra sepultura,
Num poema de amor e de aventura
Deu-lhe a vida,
Perdida.
E agora,
Nesta segunda hora
De vil tristeza,
Imortal,
É ele ainda a única certeza
De Portugal.
Miguel Torga, Diário XIII
TPC
1.
Neste poema sobre Camões, em que Miguel Torga também se refere à vida
do poeta e à sua obra, que era lida durante a ditadura, o sujeito poético
compara o tempo de Camões – o final do séc. XVI – com o tempo vivido durante a ditadura. Há
semelhanças? Quais são?