quarta-feira, 17 de maio de 2023

Mais três poemas

 1. Porque - de Sophia de Mello B. Andresen, na voz de Francisco Fanhais


Recursos Expressivos:

Anáforas- 



Metáforas-










sábado, 6 de maio de 2023

Pedra Filosofal

 Um poema lindíssimo do poeta António Gedeão sobre a necessidade de SONHAR. Sem ele, não teríamos ido à Índia, não teríamos descoberto como voar, como chegar à lua, nem a televisão, nem o computador, nem a internet, nem o carro, nem o telemóvel, nem poderíamos tratar certas doenças...e a Arte não evoluiria, nem a Ciência. Infelizmente, inventámos muitas armas e formas rápidas de destruição também. Basta ver como a guerra destrói hoje a Ucrânia...Gaza, o Líbano, o Irão, entre tantos outros países.





Pedra Filosofal
António Gedeão
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão
concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso

em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em
verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.


Eles não sabem que
o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,

de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que
o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.


Análise formal:
1. Quantas estrofes? Como se designam? Tem rima? Há regularidade métrica e estrófica?
2. Observa os versos: cada cor tem um recurso expressivo. Identifica-os.
3. Este poema foi escrito na década de 50, em plena ditadura. Quem serão estes "eles", então?
4. Escolhe uma das invenções e explica a sua importância para a humanidade.


Texto Expositivo para treino

 

Agora sobre as nuvens os subiam

As ondas de Neptuno furibundo;

Agora a ver parece que deciam

As íntimas entranhas do Profundo.

Noto, Austro, Bóreas, Áquilo, queriam

Arruinar a máquina do Mundo;

A noite negra e feia se alumia

Cos raios em que o Polo todo ardia!

 

Luís de Camões, Os Lusíadas, edição de A. J. da Costa

                      Pimpão, Lisboa, IC-MNE, 2000, p. 277

 

1. Escreve um breve texto expositivo sobre esta estância de Os Lusíadas.

O teu texto deverá integrar:

– uma parte introdutória em que insiras a estância na estrutura interna da obra, explicitando a situação em que se encontra o herói;

– uma parte de desenvolvimento em que identifiques os elementos naturais referidos no segundo e no quinto verso e em que expliques como a sua atuação se opõe ao objetivo do herói;

– uma conclusão em que relaciones os dois últimos versos com o tom hiperbólico de toda a estância e o contributo desse tom para a valorização do herói.

terça-feira, 2 de maio de 2023

Canto X - Chegada a Lisboa/Última Reflexão do Poeta

 

Despedida de Tétis, saída da Ilha dos Amores, depois de mostrar a Máquina do Mundo a Vasco da Gama. Chegam a Lisboa.


ÚLTIMA REFLEXÃO DE CAMÕES

Camões diz à Musa da poesia épica (Deusa Calíope) que está cansado e desmotivado e que não vai continuar a cantar…critica os seus contemporâneos que são ignorantes e não dão valor nem à sua História nem às Artes.  Elogia o rei D. Sebastião e os seus vassalos – onde Ele também se inclui, com o seu saber e a sua experiência – referindo este Poema épico.  Faz assim o seu autorretrato. Volta a dizer que acabou de escrever este Poema e que  também poderá cantar os feitos de D. Sebastião, sobretudo os que se prendem com a conquista de locais estratégicos em Marrocos.


PowerPoint Presentation (wordpress.com) - vê os últimos diapositivos


Assiste, se tiveres dúvidas: https://www.rtp.pt/play/estudoemcasa/p7822/e536633/portugues-9-ano 


quarta-feira, 19 de abril de 2023

Amélia dos olhos doces

 O poeta Joaquim Pessoa morreu no dia 18 de abril.

Escreveu muitos poemas e tantos outros textos, foi artista plástico e publicitário.


Amélia dos olhos doces,Quem é que te trouxe grávida de esperança?Um gosto de flor na boca,Na pele e na roupa, perfumes de França
Cabelos cor-de-viúva,Cabelos de chuva, sapatos de tiras,E pois, quantas vezes,Não queres e não amasOs homens que dormem,Os homens que dormem contigo na cama
Amélia dos olhos doces,Quem dera que fosses apenas mulherAmélia dos olhos doces,Se ao menos tivesses direito a viver
Amélia gaivota, amante, poeta,Rosa de caféAmélia gaiata, do bairro da lata,Do Cais do Sodré
Tens um nome de navio,Teu corpo é um rio onde a sede correOlhos doces, quem diria,Que o amor nascia onde Amélia morre


quinta-feira, 16 de março de 2023

Síntese do episódio lírico de Inês de Castro


Episódio “Inês de Castro” (estrofes 118 à 135)

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Introdução (estrofes 118 e 119) - Vasco da Gama , o narrador, conta este episódio ao rei de Melinde, onde a frota parou. O rei de Melinde é o narratário.

· Vasco da Gama que é o NARRADOR  anuncia que a história que se segue, na narração, era “ O caso triste e dino da memória” (v. 5, estrofe 118), cujo responsável é somente o Amor: “Tu, só tu, puro Amor, com força crua” (verso que apresenta o amor personificado) / “Deste causa à molesta morte sua” (vv.1 e 3, estrofe 119).

Desenvolvimento (estrofes 120 a 132)

Situação inicial (estrofe 120, 121 e 122-até ao v.4)

· As estrofes 120, 121 e 122 (até ao v.4) apresentam um quadro de tranquilidade e de alegria inicial e introduzem a personagem principal; Inês de Castro é caracterizada como “linda Inês” (v. 1, estrofe 120), recordando os bons momentos, as “memórias de alegria”, que passara com o seu príncipe. No entanto, na estrofe 120 – “Naquele engano da alma, ledo e cego, / Que a fortuna não deixa durar muito”(vv. 3 e 4) – é já anunciada uma certa atmosfera de fatalidade.

Peripécias (122-vv5 a 8, 123 a129)

· No v.6 da estrofe 122, é indicado o oponente ao amor de Pedro e Inês, o rei D. Afonso IV, caracterizado como “O velho pai sesudo”  (sesudo significa sério, prudente) (v. 6) que “Tirar Inês ao mundo determina” (v. 1, estrofe 123), ou seja, condena Inês à morte (estrofe 123). O poeta usa o eufemismo para referir a sentença do rei.

·A estrofe 124 mostra já o dia fatal em que a sentença é executada. D. Inês é levada à presença do rei, que por ela sente piedade. Salienta-se a adjetivação anteposta dos homens que vão executar Inês, “horríficos algozes” (v. 1) realçando a sua falta de escrúpulos e de piedade, em oposição ao rei.

· Diante do rei, D. Inês, rodeada pelos seus filhos, profere um discurso em que apela à sua piedade e suplica-lhe que não a mate (estrofes 125 a 129); Inês não pede apenas que o rei seja justo, mas implora-lhe misericórdia: “A morte sabes dar com fogo e ferro, / Sabe também dar vida, com clemência” (vv. 2 e 3, estrofe 128). Repara também na oposição entre as ideias de morte e de vida: estamos perante uma antítese que pretende salientar o poder do rei.

·Inês lança mão dos argumentos que entende mais convenientes para demover o rei do seu intuito de a mandar executar: a compaixão das “brutas feras” e das “aves agrestes” pelas crianças em contraste com a crueldade dos homens (vv. 1 a 6, estrofe 126); a sua inocência (v. 8, estrofe 127 e vv. 4 e 5, estrofe 128); o exílio como alternativa à morte (vv. 6 e 7, estrofe 128).

Ponto culminante (estrofe 130 a 132)


· No discurso que profere, Inês de Castro revela enorme coragem, o que contrasta com a fragilidade inicialmente apresentada, de tal modo que, depois de a ouvir, o rei vacila na sua decisão e quer “perdoar-lhe” (v. 1, estrofe130), no entanto, “o pertinaz povo e seu destino” (v. 3, estrofe 130) não o permitiram e Inês será executada.

·Inês de Castro é morta pelos “brutos matadores” (v. 1, estrofe 132) (mais uma vez a anteposição do adjetivo a caracterizar os carrascos).

Conclusão (estrofes 133 a 135)

· Nas estrofes 133 a 135, o narrador tece alguns comentários ao assassínio cometido, realçando a referência à Natureza personificada (vv. 5 a 8 , estrofe 133) , que participa deste sofrimento e refletindo sobre a morte de Inês que, agora, contrariamente à caracterização inicial, nos é descrita como sendo uma “pálida donzela” (v. 6, estrofe 134).
No final, alude-se à mítica Fonte dos Amores (vv. 7 e 8 da estrofe 135): “vede que fresca fonte rega as flores, / Que lágrimas são a água e o nome Amores”.