Um poema lindíssimo do poeta António Gedeão sobre a necessidade de SONHAR. Sem ele, não teríamos ido à Índia, não teríamos descoberto como voar, como chegar à lua, nem a televisão, nem o computador, nem a internet, nem o carro, nem o telemóvel, nem poderíamos tratar certas doenças...e a Arte não evoluiria, nem a Ciência. Infelizmente, inventámos muitas armas e formas rápidas de destruição também. Basta ver como a guerra destrói hoje a Ucrânia...Gaza, o Líbano, o Irão, entre tantos outros países.
Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida tão concreta e definida como outra coisa qualquer, como esta pedra cinzenta em que me sento e descanso, como este ribeiro manso em serenos sobressaltos, como estes pinheiros altos que em verde e oiro se agitam, como estas aves que gritam em bebedeiras de azul.
Eles não sabem que o sonho é vinho, é espuma, é fermento, bichinho álacre e sedento, de focinho pontiagudo, que fossa através de tudo num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho é tela, é cor, é pincel, base, fuste, capitel, arco em ogiva, vitral, pináculo de catedral, contraponto, sinfonia, máscara grega, magia, que é retorta de alquimista, mapa do mundo distante, rosa-dos-ventos, Infante, caravela quinhentista, que é Cabo da Boa Esperança, ouro, canela, marfim, florete de espadachim, bastidor, passo de dança, Colombina e Arlequim, passarola voadora, pára-raios, locomotiva, barco de proa festiva, alto-forno, geradora, cisão do átomo, radar, ultra-som, televisão, desembarque em foguetão na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida. Que sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança.
Análise formal:
1. Quantas estrofes? Como se designam? Tem rima? Há regularidade métrica e estrófica?
2. Observa os versos: cada cor tem um recurso expressivo. Identifica-os.
3. Este poema foi escrito na década de 50, em plena ditadura. Quem serão estes "eles", então?
4. Escolhe uma das invenções e explica a sua importância para a humanidade.