sexta-feira, 24 de abril de 2026

Quiz Inês de Castro joinmyquiz

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quarta-feira, 8 de abril de 2026

Liberdade

 

                        Não hei-de morrer sem saber
               qual a cor da liberdade.
 
               Eu não posso senão ser
               desta terra em que nasci.
               Embora ao mundo pertença
               e sempre a verdade vença,
               qual será ser livre aqui,
               não hei-de morrer sem saber.
 
               Trocaram tudo em maldade,
               é quase um crime viver.
               Mas, embora encondam tudo
               e me queiram cego e mudo,
               não hei-de morrer sem saber
               qual a cor da liberdade.
 
Jorge de Sena    
(1919-1978)    

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Poema: Lápide

 

Luís Vaz de Camões.

Poeta infortunado e tutelar.

Fez o milagre de ressuscitar

A Pátria em que nasceu.

Quando, vidente, a viu

A caminho da negra sepultura,

Num poema de amor e de aventura

Deu-lhe a vida,

Perdida.

E agora,

Nesta segunda hora

De vil tristeza,

Imortal,

É ele ainda a única certeza

De Portugal.

 

Miguel Torga, Diário XIII


TPC

1.       Neste poema sobre Camões,  em que Miguel Torga também se refere à vida do poeta e à sua obra, que era lida durante a ditadura, o sujeito poético compara o tempo de Camões – o final do séc. XVI –    com o tempo vivido durante a ditadura. Há semelhanças? Quais são?